Por: Fernando Garcia*, Lucas Garcia**
*Fernando Garcia – Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; Membro da SLARD – Sociedad Latinoamericana de Artroscopia, Rodilla y Deporte e Médico do Centro Médico Hospital Português.
O “tennis elbow” ou cotovelo de tenista é também chamado de Epicondilite Lateral do Cotovelo ou Epicondilite dos Extensores do Antebraço. Normalmente acomete usuários de computador, lavadeiras e atletas, principalmente os tenistas. É uma lesão freqüente em pessoas que utilizam o cotovelo e o antebraço em demasia, ou seja, executam de forma repetitiva os movimentos de extensão do cotovelo, antebraço e o punho. Estes movimentos repetitivos provocam uma inflamação nos músculos e tendões do lado lateral (fora) do cotovelo, os extensores, e fazem com que esses tendões se desgastem, podendo chegar, nos casos graves, até a sua ruptura. Não há predominância quanto ao sexo e é mais freqüente nas faixas etárias entre 35 e 50 anos de idade.

Fig. 1 – Avaliação anatômica do “tennis elbow”
O exame físico se faz através da palpação do epicôndilo lateral do cotovelo, onde estão inseridos toda a musculatura responsável por esta potologia ( Teste de Cozen). As principais queixas são a dor e fraqueza na face lateral (fora) do cotovelo. Essa dor pode se localizar somente na face lateral do cotovelo ou irradiar-se por toda extensão dorsal do antebraço e em alguns casos pode-se ter uma redução na força de preensão da mão.

Fig. 2 – Exame Físico do cotovelo.
Além de um bom e detalhado exame físico, podemos complementar o diagnóstico com uma avaliação radiológica, seguida de uma ultrassonografia e em alguns casos da ressonância magnética.Como já relatado, a etiologia desta patologia esta relacionada a movimentos repetitivos da musculatura extensora do antebraço e punho, como por exemplo, torcer roupas e digitação em excesso. Nos tenistas, esta patologia está relacionada ao mal encordoamento da raquete e principalmente à má execução do “backhand”. Como diagnóstico diferencial temos a síndrome do nervo interósseo posterior, patologia com sintomatologia muito semelhante ao “tennis elbow”, porém de tratamento e prognóstico muito diferentes.

Fig. 3 – Demonstração do “backhand”.
O tratamento do “tennis elbow” é inicialmente conservador. Deve-se parar, temporariamente a prática do tênis, até que se tenha um diagnóstico correto da lesão e a sintomatologia tenha desaparecido. Nesta fase, o uso de gelo local e alongamento da musculatura extensora dos antebraço e punho devem está sempre sendo realizados. Podemos fazer uso de antiinflamatórios não hormonais e fisioterapia, sempre prescrito pelo ortopedista. As infiltrações com corticosteroides podem ser utilizadas, porém com muito cuidado e sempre por profissional capacitado e experiente, não devendo ultrapassarem duas ao ano. Particularmente não utilizo este método de tratamento, embora eventualmente possa ser utilizado, dependendo da gravidade do caso. Quando todas as alternativas de tratamento conservador estiverem esgotado, o tratamento cirúrgico deve ser pensado. Este tratamento pode ser feito de forma ampla, aberta ou mais recentemente, por via artroscópica. Todas estas condutas devem ser muito bem discutidas com o seu ortopedista. Podemos associar ao tratamento o uso de “braces” para “tennis elbow”. Existem várias marcas no mercado. Isto pode proporcionar uma melhora e conforto para o tenista, não havendo trabalhos na literatura que comprovem a prevenção da lesão.

Fig. 4 – Uso do “brace” no antebraço.
Para finalizar gostaria de deixar algumas dicas:
1-Ao iniciar-se os sintomas do “tennis elbow”, você deve parar de jogar e consulte, imediatamente o seu ortopedista. Discuta com ele o melhor tratamento a ser instituído, isto pode refletir diretamente no prognóstico da doença;
2-Avalie a tensão nas cordas da raquete. Caso confirme a irregularidade, esta tensão deve ser diminuída cerca de 5 a 10%;
3-Reveja o seu modo de jogar. Na grande maioria dos casos o “backhand” executado de forma errada pode piorar o quadro patológico;
4-Faça alongamentos antes e depois das partidas. Não só no membro superior, como também, nos membros inferiores;
5-Não faz mal o uso de “braces” preventivos.
Sabemos que muito ainda temos que conhecer sobre esta patologia, tanto no diagnóstico como no tratamento, porém temos a certeza que estaremos acompanhando de perto esta evolução técnica e científica, para podermos atender melhor os nossos atletas que demonstram no tênis o seu amor pelo esporte.
Dr. Fernando Garcia
Centro Médico Hospital Português
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